Dead Combo apresentam “Odeon Hotel” no Convento de São Francisco

Fotografia por Carina Leitão

Dead Combo, a já conhecida dupla composta por Pedro Gonçalves e Tó Trips, andava desaparecida no que toca a álbuns há demasiados anos. Finalmente, subiu ao palco do Convento de São Francisco no passado dia 12 de Abril,  para apresentar o novo disco “Odeon Hotel”.
Ao entrar no auditório principal, deparámo-nos com um cenário de lençóis brancos que cobriam os instrumentos musicais como um quarto de hotel abandonado, com os móveis amortalhados.
Assim que a banda pisa o palco, levantam os lençóis, um a um, e revelam os instrumentos que vão musicar toda esta viagem. “Deus Me Dê Grana”. É assim que se chama o primeiro tema tocado por estes novos Dead Combo.

A bateria de Alexandre Frazão, que logo coloca uma roupagem rock sobre a mesma, é seguida pelo compasso de contrabaixo de António Quintino. Ao centro, os já familiares dedilhados de Tó Trips, sempre fielmente acompanhados pela guitarra de Pedro Gonçalves, e por fim, ouvimos os sopros de Gui que acabam por preencher a sala. Começamos então, a perceber que os Dead Combo estão mais completos do que nunca.

Este novo álbum é uma analogia da cidade de Lisboa. Um hotel preenchido por pessoas que vão e vêm, mas que nunca ficam. Palavras como “turismo” e “gentrificação” assaltam-nos a memória, ao pensar neste “Odeon Hotel”. É um hotel em que existem diferentes tipos de pessoas e personalidades, diferentes etnias, diferentes backgrounds culturais e isto nota-se neste álbum: temos rock fulgente com baterias aceleradas, jazz sensual com o saxofone em primeiro plano e latinidades quentes das praias do Caribe.
Tudo carregado de alma!

Fotografia por Carina Leitão

Pode-se dizer que é uma coletânea de experiências. Com este concerto percebemos que os Dead Combo estão a explorar novos caminhos: Quiseram despegar-se da imagem que era tanto deles: os dois tipos de fato, sozinhos, no meio do nada.
A família cresceu, mas a identidade manteve-se. Os fatos continuam, mas o palco torna-se mais preenchido. No entanto, os momentos a sós não deixam de existir durante o espetáculo, e estas guitarras reconheceriam-se em qualquer parte do mundo como as que nos apresentaram temas como “Lisboa Mulata” ou “Esse Olhar Que Era Só Teu.”
Nesta noite repeta de notas quentes, leves movimentos de anca e reflexões territoriais, foi entregue ao público uma chave de um quarto deste Hotel onde existe espaço para pensar, beber um copo, dançar e depois partir, quem sabe para onde.

Senhoras e senhores, damas e cavalheiros, bem-vindos ao “Odeon Hotel”.

Texto por Juliana Pires com Revisão de Jérémy Pouivet

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