EA LIVE, o símbolo do sucesso da música nacional [Reportagem]

Fomos conhecer o EA Live, evento que prometia pelo cartaz fenomenal que apresentava. Como os os próprios disseram, atuavam em palco algumas das melhores bandas nacionais atualmente, por um preço modesto de 15 euros. Prometia-se boa música, um Coliseu cheio, e um bom ambiente. Não falharam a nenhumas destas promessas, e ainda surpreenderam pela boa organização e incrível imagem gráfica e efeitos visuais durantes todos os concertos. A repetir!

É fácil entender o fascínio por Luís Severo. A figura invulgar e descontração deste músico tornam qualquer tema seu num momento intimista e peculiar, com vozes afinadas e telemóveis ao alto. Tanto à guitarra como ao piano, o público acompanha fielmente cada palavra, com o músico a ceder aos discos pedidos, fazendo-se esquecer da sua setlist. Foi também uma despedida deste formato a solo, pois como o próprio disse, vêm aí concertos com mais integrantes, e no horizonte, um novo álbum. Cá o esperamos!

O concerto deste quinteto obedece a uma viagem que começa por um universo retro e contido, e se vai soltando devagarinho, até entranhar no público. Pelo meio, somos brindados com um coro de vozes que evocam uns Bon Iver, e nos remete para um universo onde parece que todas as músicas começaram numa guitarra acústica velha, antes de ganharem uma dimensão anormal. Com todas as arestas limadas, os You Can’t Win Charlie Brown mostram-se seguros da sua identidade musical, proporcionando um momento que só eles sabem.

Samuel Úria fez-se acompanhar de um coro de vozes, para além da habitual banda que rodeia a sua voz peculiar. Recusa o título de ser um dos melhores letristas ativos em Portugal, e prefere fazer a festa com o seu público, com os seus temas a crescerem invulgarmente ao vivo, ganhando uma roupagem mais rock’n’roll e crua. O carisma de Samuel Úria tornam-no num excelente performer e frontman, entregando ao público um dos pontos altos da noite.

“Se me Agiganto”, avisam os Linda Martini. A fase dos “putos punk de Lisboa” passou, e o resultado foi um tremor de terra dentro do Coliseu, com um concerto repleto de distorção e reforços do público. Os temas deste último álbum, revelando o rosto da verdadeira “Linda Martini”, mostram-se poderosos, maturos e adultos, com riffs pegajosos e crescendos melodiosos que ficam no ouvido logo ao primeiro verso. Juntem isso à voz nostálgica de André Henriques, e temos a receita perfeita para ver Linda Martini na sua melhor forma até agora.

Feedbacks, ruído, uma bateria arrastada, e pouca ou nenhuma luz. Assim se apresentaram os Mão Morta ao início, com a entrada em slow-motion de Adolfo Luxúria Canibal, que rapidamente quebrou o gelo. A jogar fora, como os próprios apontaram, os 45 minutos que se seguiram foram repletos de um lirismo provocador, com uma voz cavernosa a lidar as tropas, como quem atira verdades inconvenientes à cara do público. No fim, ovacionados como sempre, ficamos com a certeza de estarmos a aplaudir uma das bandas mais especiais que Portugal já viu.

Rock ’n’ Roll. Rock ’n’ Roll. Rock ’n’ Roll. Assim se apresenta Paulo Furtado e sua banda, do primeiro ao último minuto. The LegendaryTigerman acorda com rock ’n’ roll, come rock ’n’ roll e transpira rock ’n’ roll, fazendo questão de entregar isso ao seu público com a menor das cerimónias. Sujo e direto, a sua performance aposta em duelos sónicos constantes com o saxofonista João Cabrita, e letras orelhudas, de forma a que o público perceba a mensagem à primeira. Se não perceber, Tigerman faz questão de repetir, até toda a gente na sala perceber quem manda! Rock ’n Roll.

Fotografia de Joana Linhares e Jérémy Pouivet
Texto de Jérémy Pouivet

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