Todos aos AXA, ver de tudo

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Todos ao AXA, dizia o cartaz. Foi certamente o que aconteceu, com uma despedida em grande de um lugar que durante mais de 900 dias dinamizou a cultura no centro do Porto como nenhum outro lugar o conseguiu fazer. Mas pouco interessa isto, se este momento é oportunidade para fazer festa até de manhã. Foi exatamente isso que aconteceu no dia 28 de Novembro, com as portas do AXA a estarem abertas a todas as idades durante mais de 12 horas, com um mundo por descobrir no interior.

Em jeito de vingança saudável e/ou despedida antecipada, o edifício foi invadido por inúmeras exposições, workshops, performances e muitos concertos, com nomes como Filho da Mãe, TORTO ou OGBE, entre outros. Nomes como a produtora Favela Discos ou os Mirror People também tomaram de assalto o AXA, tornando esta despedida inesquecível. Nós estivemos lá, em vistas bem privilegiadas. Mas isso é outro assunto.

Os portuenses TORTO bem que fazem jus ao seu icónico nome, onde tudo nas suas melodias dissonante, desafiante e provocador. “Escabroso” pode ser um dos adjetivos que serve que nem uma luva ao concerto apresentado pelo quarteto, com um certo “Leixões em C” a deixar todos em estado alerta para o que viria a seguir. Sala cheia, notas cheias, ouvidos cheios.

Filho da Mãe apresentou-se com a sua fiel guitarra, munido de texturas sónicas e loops infinitos, para fazer o que sabe fazer de melhor. Aos olhos de Grutera, e de uma sala cheia, Rui Carvalho cria como ninguém um ambiente de saudade e nostalgia apenas com as seis cordas do seu instrumento, deixando para sempre espaço ao improviso momentâneo. Não foi a primeira vez que o vimos este ano, e esperamos ansiosamente pelo novo disco.

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O ponto alto da noite apresentou-se sob a sigla de OGBE (Orquestra de Guitarras e Baixos Elétricos), num momento que dificilmente será recriado novamente na cidade do Porto. Usando a praça dos Aliados como palco, os músicos desta orquestra de música experimental e improvisada, comandados por Pedro Cardoso (mais conhecido por Peixe dos Ornatos Violeta), tocaram para todo o grande Porto das varandas do AXA.

Nós, como bons stalkers que somos, soubemos apanhar os melhores momentos deste concerto único do lado de dentro, a poucos metros dos músicos que davam provavelmente um concerto que nunca se irão esquecer. A última surpresa do concerto revelou-se numa caminhada ao outro lado da rua, com toda a orquestra a fazer soar as suas escalas dissonantes e arpeggios pelas longas estradas dos Aliados, e a fluir à entrada das novas instalações de um novo AXA. O AXA fechou, mas agora é já ali ao lado.

Todas as fotografias para relembrar um encerramento, a seguir.

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