Vodafone Paredes de Coura 2018 [ Foto Reportagem ]

Vodafone Paredes de Coura: Um festival que devia ser sujeito a um study-case, para perceber como se chega tão rapidamente ao coração da gente que pisa aquela relva, e ouve aquelas músicas num espaço tão especial e único. Ou então somos só nós que estamos decidiamente apaixonados por este canto do planeta, e a ressacar sofregadamente.

Imaginemos que morremos e fomos todos para o céu. Encontramos lá os nossos velhos conhecidos e melhores amigos, num espaço único, limpo, celestial, com música bela de fundo e cerveja barata. Continuamos a caminhar após a portas do Paraíso, descemos uma rampa em direção ao Rio da Água Benta e damos com um ambiente único, num relvado que acaba no infinito e um rio repleto de botes de cada alma. Sorrisos largos, pouca roupa (sem demasiado atrevimento), calor no ponto.
Todo este universo podia ser perfeitamente o Paraíso, que vamos conhecer quando todos nós nos formos, mas é uma descrição precisa da 26ª edição do Vodafone Paredes de Coura.

Claro que, transpondo isto para crua realidade que todos nós conhecemos, todo o Paraíso (o Céu não é exepção), tem os seus pequenos demónios: depois de trocar a harpa celestial pela “All My Friends” de LCD Soundsystem (tema fetiche do festival que teima em entrar fora de tempo na hora do fecho do festival), sentimos na pele os moshes desnecessários, a demasiada adrenalina de algum tipo de público com demasiada testoterona no sangue, para além de um palco secundário demasiado obscuro que não faz jus ao anfiteatro natural que todos conhecemos.
Ainda assim, todos estes precalços fazem-nos, no fim da nossa curta estadia no Couraíso, sorrir de boca cheia, enquanto assistimos de boca aberta aos feedbacks nervosos de The Legendary Tigerman, namoramos ao som de Lucy Dacus, ou simplesmente nos rimos com o aparato criado em Skepta.

Feita a reflexão acerca desta experiência religiosa que é Vodafone Paredes de Coura, arriscamo-nos a eleger este evento como um dos melhores festivais a nível nacional, seja pelo ambiente único e maturo que ali se vive, ou pela pluralidade de nomes que vêm de todos os cantos do mundo, e que cumprem exemplarmente o horário do festival.
Para o ano o que se segue? Até lá, continuaremos a entoar a “Wake Up”. Woah, Woah…

FOTO-REPORTAGEM  [AMBIENTE] 

[VÊ TODAS AS IMAGENS EM HQ AQUIGALERIA]

Texto: Jérémy Pouivet
Fotografia: Joana Linhares

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