Zigurfest’18 em Reportagem [Parte 2]

31 de Agosto
O calor no interior do país começava a apertar, quer pelo clima em si, quer pelas atuações que nos esperavam neste dia. A sessão de concertos começou com o André Gonçalves no palco Castelo, um concerto de reflexão de olhos postos na cidade, quase de meditação com uma pequena invasão de passarinhos que nos alimentava aquele pôr-do-sol. Este estado entre a meditação e o transe não ficou por ali. As Savage Ohms, um grupo marcadamente feminino, ascenderam ao seu estado de transcendência naquele jardim para ajudar o público a continuar este percurso sonoro. Esta foi uma viagem marcada por sinos, flautas, sintetizadores e guitarras que nos lavaram a alma e continuaram a aquecer o coração.

Após este estado de quase levitação, a noite chegou e deu lugar ao mais português dos portugueses: David Bruno. As suas músicas têm o objetivo de cultivar a maior das entranhas que reside em cada um dos portugueses, desde as músicas de amor do Toy e apaixonantes do Marante, ao Lamborghini na roullote, à típica travessa metalizada servida no balcão da tasca,… David Bruno é um cultivador nato da nossa cultura e fez-se acompanhar por Marco Duarte, que nos leva a dançar nas suas baladas tão amorosamente tocadas na sua guitarra – caso para dizer que Marco faz bebés na sua guitarra.

Ainda no palco TRC, apresentaram-se os Nu com o seu rock marginal. Os seus concertos são desconcertantes, incendiários, onde libertam a energia canalizada no dia-a-dia. A noite não ficaria por aqui. Seguiria rumo para um palco que não havia sido estreado nesta 8a edição, o palco Olaria. Localizado por entre as ruelas de Lamego, a música que dali soou invadiu o silêncio e a calma da noite dos habitantes que por ali residem. Rapidamente vieram às suas janelas apreciar o que estava a acontecer. A calmaria nocturna foi completamente derrubada pelo concerto dos Vaiapraia e as Rainhas do Baile, um coletivo pop-punk eletrizante que conseguiu aumentar o calor naquela madrugada de verão que foge. Um concerto com uma performance que levou toda a gente a querer interagir com as suas músicas e fazer parte deste coletivo de amigos que, segundo Rodrigo, são os seus pilares na vida. O concerto ficou ainda marcado pelos “moches” que fizeram com que Rodrigo parasse para alertar o público de que o espaço não era próprio para tal, já que se tratava de um local tão acolhedor para tanta a gente que ali tentava assistir.

Abertos os caminhos da libertação e em busca de expressão, eis que surge Ângela Polícia com uma actuação interventiva, crua e esquizofrénica, afirmando apenas abandonar o palco quando ela, juntamente com o público, destabilizassem todos os que se sentiam incomodados. No entanto, o público não deixou de se abanar aos ritmos do hip-hop, dub, punk e grime que ali foram apresentados para um convívio entre o público e Ângela Polícia.

1 de Setembro
Era o último dia de Zigurfest e o primeiro do mês com um calor abrasador, que prometia uma despedida, desta bonita festa em grande.
Fim de tarde, no palco Olaria, com bonitas canções que um português que é português está acostumado e familiarizado. Músicas como o Vira, outras adaptadas de poemas de Miguel Torga ( entre outros), apresentavam-se assim os Lavoisier. Duas almas completamente apaixonantes e arrepiantes que não deixaram o público indiferente, envolvendo-os num expressionismo tal que os cds voaram.

O sol já começava a pôr-se mas as energias estavam carregadas e foi assim que o público recebeu Paisiel numa alegria imensa, preparados para um leve abanar da anca ao som do veículo psicadélico que são.
Cada vez mais o dia se despedia de nós, mas a noite ainda era uma criança e o público deslocou-se até ao palco TRC para ouvir Bardino com as suas variantes do rock, imergindo-nos nas projeções e naquele palco infindável, onde ninguém conseguiu parar de se abanar nas cadeiras. Sem nos deslocarmos do palco TRC, surgiu o Carro de Sei Miguel para nos levar a viajar numa meditação até à maior das profundezas da intrigação.

No entanto, grande parte do público não estava num mood de jazz expressivo, pois o apetite tinha sido aberto durante a tarde, ao que se foram deslocando para o palco Olaria. Aqui não chegamos a encontrar Moon Preachers como era esperado, infelizmente ou felizmente, pois o que veio substituir não deixou ninguém indiferente, muito menos a desejar que o concerto de Moon Preachers tivesse sido cancelado. Foi assim que The Dirty Coal Train deram início à sua aparição, avisando quem eram, e que estavam muitos felizes por ali estarem a rockar connosco após uma tarde de vinho verde e CRF. As malhas que ali se fizeram ouvir, deixar todo o público ao rubro, onde todos se transformaram num para se conseguir assistir aquele show de rock e dançar tanto, ou pelo menos tentar, quanto Beatriz que ali foi, a musa do rock !

A noite não se ficou por aqui, ao que levou uma romaria deslocar-se pelas ruas históricas da cidade até ao palco Alameda, onde tínhamos encontro marcado com Allen Halloween, um mito tornado realidade, um dos nomes da história do hip-hop, que nos levou a recordar as músicas que nos fizeram ingressar nesta cultura do hip-hop como Zé Maluco e Bandido Velho que não deixaram ninguém indiferente.Allen ainda está cá para as curvas do hip-hop e mostrou isso naquele fantástico palco que também não o deixou indiferente.

Ainda estava o público todo emergido nesta energia, quando em frente ao palco só se ouvia murmurar “cuidado com as facas”, sim era o Scúru Fitchadú que estava a chegar. Chegou assim o terramoto do funaná, punk e hardcore que todos esperávamos, todos queríamos bailar com o Scúru, pelo que convidou todos os interessados a subirem a palco e a mostrarem os seus dotes.Estava assim a noite desta bonita festa a acabar, mas não sem antes da aparição dos 2Jack4U levando toda a gente a levitar e a dançar ao som de um acid tecno.
Foi bonita a festa!

Texto: Carina Leitão e Renata Pereira
Fotografias: Carina Leitão

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