Zigurfest’18 em Reportagem [Parte 1]

29 de Agosto
Já decorriam as festas em honra da Nossa Senhora dos Remédios, senhora essa que tem uma escadaria em sua homenagem. Estas centenas de degraus, levariam os campistas a perderem forças ou, então, a fazer ginásio de forma gratuita.
Dando início ao mote da edição deste ano, “em cada rua um palco, a cada passo uma descoberta”, o festival tomou início dentro das muralhas do castelo, no Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, um lugar que alberga vestígios milenares, sendo este um dos palcos especiais. Para tal, e para nos ajudar a viajar naquele sítio com tantas histórias por contar, tivemos Ulnar + Sal Grosso, numa sala repleta de fumo que nos permitiu imaginar e levitar, onde os raios de sol se tornavam ainda mais definidos pelos cortes das cortinas.
O passeio à descoberta da zona histórica daquela lindíssima cidade continuou. No fundo da rua, tínhamos já encontro marcado com os Zarabatana, compositores de um estilo inclassificável, mas com um ritmo que não deixou ninguém indiferente. O Largo da Cisterna, mais um dos palcos especiais, encheu-se de pessoas de todas as idades, de cor e de sons muitas vezes imprevisíveis, remetendo-nos para um lugar que não aquele, interligando todos os corpos ali presentes.
Para encerrar em bom, e de forma feliz, o grande dia de abertura e receção dos muitos que foram ali à descoberta da música nacional, fomos levados a mais um local contador de histórias, o Museu de Lamego. Aqui, encontrámo-nos com Dullmea, uma doce rapariga que, entrando em palco ou usando o chão como tal, faz toda uma introspecção e leva juntamente consigo o público na sua viagem interior. Dullmea, ainda que num estilo semelhante à atuação do Ulnar + Sal Grosso, somou um toque especial e que nos torna especiais – a voz. Neste local, repleto de painéis pintados por Vasco Fernandes para a Sé de Lamego, as pessoas viram-se entre a transcendência que rapidamente ascendia à delicadeza.

30 de Agosto
Um segundo dia começava e novos palcos nos esperavam, novos locais para descobrir e novas bandas para nos levar a viajar.
O dia de concertos teve o seu início no palco Castelo, onde os olhos não largavam a vista sobre a cidade, as montanhas e as vinhas tão bem delineadas. Na inauguração deste novo palco na 8a edição do Zigurfest estiveram presentes Mazarin, uma banda dos dias que correm e que trazem cor aos dias de hoje. Mazarin deixam transparecer nas suas músicas, de forma evidente, as inspirações que trazem dos Bad Bad Not Good, mas demonstrando que andam em busca do seu próprio caminho e fazendo juras de algo ainda maior para breve.
Depois desta viagem de olhos postos na cidade, chegaram os Terra Chã, uma dream-team do house que têm como mote a dança como libertação. Abriram o apetite entre o público e deixaram ancas a vibrar e cabeças a abanar ao som das suas batidas.
A noite já marcava presença na cidade e as luzes da Capela da Nossa Senhora da Esperança, um palco especialíssimo, já esperavam o público e a menina fofa que se viria ali a apresentar: Mathilda. Ainda dando os primeiros passos no mundo da música, mas já com um grande saco cheio de cidades e palcos pisados, não se apresentou sozinha no Zigur. Fez-se acompanhar do também fofo Gobi Bear na guitarra. Apesar de um concerto marcado por choques elétricos entre a Mathilda e a sua guitarra, a sua actuação levou cada elemento do público a revisitar a sua própria adolescência. Com músicas doces e acompanhadas com veludo, as fragilidades pelas quais todos nós já passámos quando éramos mais novos, desvaneceram-se. E, como não podia deixar de ser, Gobi Bear e Mathilda presentearam-nos com um tema deste feito em dueto com Emmy Curl , “Unloved”.
O dia foi todo ele marcado pela inauguração de novos palcos nesta edição. E, como não há dois sem três, partimos em busca do palco Alameda, um anfiteatro no meio do jardim conhecido por acolher e lançar grandes nomes da música reconhecidos pelos ouvidos até dos mais comuns. Na sua inauguração, tivemos Gume. Com um “groove de cosmologia afro-futurista”, fez o público dançar serenamente entre árvores e um acanhado riacho. Neste palco, encontrava-se alguém que já nos havia sido apresentado em Zarabatana.
A noite ainda era uma criança quando o público começava a tomar sentido das danças, dos versos e mandamentos dos Sereia. Presenteando-nos com uma mascote, algo inesperada e tão demonstrativa de todo o conceito desta banda, esta possuía algumas semelhanças aos mandamentos a que estamos habituados a receber do tão grande Adolfo Luxúria acompanhado pelos Mão Morta. Aqui, encenaram em palco críticas à sociedade, como se se tratasse de um musical.

Texto: Carina Leitão e Renata Pereira
Fotografias: Carina Leitão

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